Pular para o conteúdo principal

Quadrilha agia na Receita de Londrina há pelo menos 20 anos, afirma Gaeco

Paraná - Após dez meses de investigação do esquema de cobrança de propina operado por auditores fiscais na Receita Estadual de Londrina, o Gaeco confirma o que muitos já suspeitavam ou o que alguns sabiam por experiência própria: a organização criminosa entranhada no órgão estadual de fiscalização de recolhimento de impostos age há pelo menos 20 anos achacando empresários para obter vantagens indevidas. As informações são da Folha de Londrina.
“Nós temos declaração no sentido de que em 1995 já se estabelecia um modo de operação muito semelhante ao que se apresenta hoje”, afirmou o promotor Renato de Lima Castro. Trata-se, segundo denúncia formulada pelo Ministério Público que acusa 62 pessoas (incluindo 15 auditores) de formação criminosa, corrupção e outros crimes, do “grupo criminoso mais antigo da região de Londrina”.
Os empresários achacados naquela época, disse o promotor, relataram em depoimentos recentes que o modus operandi dos auditores se assemelha muito à forma de agir atual: arbitrariedade dos fiscais na fiscalização, como apreensão de documentos e equipamentos, e a menção de um suposto “racha” nas propinas: metade ficaria com os operadores do esquema em Londrina e metade iria para Curitiba. Os tais “cabeças” do esquema ainda não foram identificados.
Para o promotor, o esquema se perpetuou em razão de pelo menos dois fatores. Um deles é que o próprio empresário que seria vítima de extorsão passa ser autor do crime de corrupção ativa. Ou seja, em vez de denunciar os auditores, passa a colaborar com o esquema. “A pessoa se beneficia do pagamento de propina porque se permite ou reduzir o montante devido (de imposto) ou por não ter que enfrentar a ira do fiscal no sentido de que vultosas quantias de multas serão fixadas caso não pague o tributo”, avaliou. “Isso cria um ambiente propício para os servidores que estão propensos à prática de crimes, ou seja, basta que haja uma oportunidade.”
Outro fator que deu estabilidade à organização criminosa, comentou Castro, foi “a falta de punição e de condenação rápida dos envolvidos” ou mesmo a falta de apuração dos delitos. Também é preciso salientar que, ao longo dos anos, os próprios ocupantes dos cargos mais altos da Receita de Londrina – agora denunciados como integrantes da quadrilha – galgavam posições, em vez de enfrentar processos disciplinares. Há inclusive uma situação já revelada pelas investigações em que o então delegado-chefe da regional de Londrina, Márcio Albuquerque de Lima, apontado como líder da organização criminosa, arquivou denúncia que apontava claramente casos de corrupção. Ironicamente, pouco tempo depois, foi promovido a inspetor-geral de Fiscalização da Receita do Paraná.

RECORRENTECastro lembrou que ao longo dos últimos anos o Gaeco investigou e moveu ações judiciais contra auditores fiscais da Receita de Londrina, embora se tratasse de casos isolados. “Situações esparsas ao longo dos anos foram investigadas e motivaram até ações penais, mas nunca tínhamos chegado a esta sistematização, ao grupo organizado”, explicou.
Somente com escutas telefônicas, quebras de sigilo e as últimas medidas judiciais autorizando prisões e busca e apreensão de documentos, em março, foi possível delinear o esquema criminoso na Receita. Além de vários meses de investigação, o promotor destacou que promotores e policiais tiveram “sorte” ao se deparar com importantes documentos do grupo de auditores, como planilhas revelando supostamente quais foram as empresas objetos de cobrança de propina. Chamados a prestar depoimentos, vários empresários confirmaram o pagamento, tornando-se colaboradores da investigação com direito a possível redução de penas. “A apreensão de documentos foi um fator fundamental assim como a colaboração dos empresários”, afirmou. “Inúmeros fatores devem ser considerados numa investigação, porque é muito dinâmica. Então, tem sim o fator sorte também.”
Mesmo com 62 pessoas denunciadas, os promotores suspeitam que o esquema seja muito maior – poderia envolver mais 43 fiscais além de uma centena de empresas. Ontem mesmo, Castro tomou o depoimento de um empresário que pretendia colaborar com as investigações. Além disso, a intenção é averiguar denúncias em outras cidades que são abarcadas pela Delegacia da Receita de Londrina, como Arapongas, onde há suspeita
de achaque aos empresários do polo moveleiro.
Questionado se as investigações em Londrina revelaram indícios de esquemas semelhantes em outras delegacias da Receita, o promotor disse que “algumas regionais têm investigação em andamento” e espera que outras comecem a apurar fatos semelhantes. “Quero crer que esta investigação do Gaeco de Londrina motive outros órgãos do MP e da polícia a realizar idênticos trabalhos nas suas comarcas respectivas.”

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Pessoas Carentes

"Quando alguém carente se aproxima  das pessoas, essa aproximação quase  nunca é descompromissada ou relaxada.  Existe sempre uma certa tensão" Carência é esse sentimento incômodo que muitas pessoas carregam, percebida por elas como um tipo de buraco, uma fome constante que chega a doer. Às vezes é fome de afeto, de amor... mas também pode aparecer como fome de atenção, como o desejo de estar sempre no palco das relações, sendo valorizado, cuidado, tratado de forma especial. A carência de uma pessoa pode ser por vários motivos: uma pessoa sem família (pode não ter familiares por perto), sem um amor (não consegue achar sua alma gêmea), sem amigos (não consegue fazer amizades, é excluído...). E essa carência é triste, pois a pessoa vive isolada, e cria um mundo que não existe. A maioria ' pira ', pois criam um mundo imaginário e se isolam cada vez mais das outras pessoas. Tem pessoas carentes que ficam tão ' pirados'  em suas im...

Dor De Cotovelo

Dor de cotovelo: é uma expressão coloquial, que significa que uma pessoa está com saudade de alguém, que está com inveja de algo ou outra pessoa. Quem tem essa dor diz ser uma dor muito insuportável, quase impossível de aguentar. Em Nova Esperança há muitas pessoas com essa dor, pois seus candidatos perderam, e ficam, já colocando defeito antes mesmo da nova administração assumir. E ficam mais com dor ainda, quando eles veem nas ruas buracos, sujeiras e salários de funcionário públicos atrasados e veem que todos fornecedores que deixaram a cidade por falta credibilidade da prefeitura, voltarem.  E é engraçado ver esse pobres coitados com dor de cotovelo, choram, reclamam, gemem, mas fazer o que né?  E essa dor de cotovelo, atingi o cérebro da maioria que torcem para uma má administração de Gerson e Fabio, e essa dor deixa essas pessoas burras, porque elas esquecem que vivem em nossa cidade. Você torcer para um candidato, ficar com...

Em Três Anos E Meio Foram R$ 1,7 bilhão em obras nas estradas pedagiadas

Paraná - A verdade tem que ser dita. Foi com Beto Richa que as obras do pedágio foram retomadas, depois de suspensas na administração anterior devido a desentendimentos entre o então governador e as concessionárias. O governo Beto Richa não desistiu de nenhuma ação judicial e a relação entre governo e as empresas de pedágio é estritamente comercial, com objetivo claro de beneficiar o Paraná e seus habitantes e fazer valer o interesse público. No governo Beto Richa, os investimentos das concessionárias nas rodovias somam, hoje, R$ 1,7 bilhão. BR-277: duplicação de Medianeira a Matelândia - concluído Duplicação de Matelândia a Ramilândia – obras previstas para esse ano BR-376: contorno de Campo Largo – já entregue  Prosseguem obras de duplicação de 231 quilômetros da Rodovia do Café de Ponta Grossa a Apucarana Duplicação de Mandaguaçu a Nova Esperança – será executado a partir do ano que vem Contorno de Mandaguari - em obras BR-369: duplicação de Apucarana a Jandaia - e...