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Morte de universitária uruguaia teve ‘motivação espiritual’, afirma polícia

Paraná - O suspeito de ter assassinado a estudante uruguaia Martina Piazza Conde disse à polícia que a morte da estrangeira foi um “sacrifício espiritual”. Jeferson Diego Gonçalves, de 30 anos, foi interrogado pelo delegado de Homicídios, Marcos Araguari, na noite de segunda-feira (17), logo depois de ser transferido para a delegacia da Polícia Civil em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Considerado foragido desde o dia 10, ele foi preso no sábado (15) pela Polícia Militar de Nova Laranjeiras, no centro-oeste, às margens da BR-277, a 260 km da fronteira.
No depoimento que durou quase três horas, Gonçalves confessou o homicídio, mas, segundo Araguari, contou histórias confusas e bastante contraditórias. O suspeito disse que foi aconselhado por um pai de santo a matar a estudante – o que lhe garantiria melhores condições de vida – e que pensou em desistir, mas retomou o plano inicial depois de ter sido agredido pela vítima. A perícia feita no local do crime, no entanto, não encontrou indícios de luta corporal. A morte teria sido uma oferta a um orixá do candomblé. Quando foi preso, o suspeito disse que estava indo a pé para cumprir uma promessa a Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá.
A uruguaia, estudante do curso de Antropologia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e sobrinha do Secretário Nacional Antidrogas do Uruguai, foi assassinada na madrugada do dia 3 de março no apartamento de amigos que estavam em viagem, e o corpo foi encontrado na noite de 6 de março. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) aponta que a estrangeira morreu em decorrência de asfixia mecânica provocada por “estrangulamento e enforcamento por fio elétrico”. Imagens do circuito interno de segurança mostram o momento em que ela e Gonçalves sobem as escadas do prédio, por volta das 4h30, em direção ao apartamento. Quase uma hora depois, ele aparece descendo sozinho, com a chave do imóvel na mão.
“Desde o momento que identificamos o suspeito, começamos a monitorar os familiares dele. E, as investigações indicam que depois de deixar o prédio ele foi para casa dormir e no dia seguinte procurou amigos para se aconselhar e decidiu fazer a viagem a pé e pegando carona. Ligações feitas de telefones públicos da região confirmam isso”, explicou o delegado chefe da 6ª Subdivisão de Polícia Civil de Foz do Iguaçu, Alexandre Macorin, logo depois de retornar à cidade com o suspeito, no início da noite de segunda-feira.
No fim da manhã desta terça-feira (18), o suspeito foi transferido para a Cadeia Pública Laudemir Neves. O inquérito policial deve ser concluído em no máximo dez dias e em seguida encaminhado à Justiça.

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