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Graças ao vidro, o Milan Trade Fair, é um dos centros de exposições mais exuberantes da Europa



Com mais de 4,3 milhões de habitantes, Milão tem a quinta maior área urbana da União Europeia e é a segunda região metropolitana mais populosa do Velho Continente. Cosmopolita, a cidade italiana mundialmente conhecida como a capital do design foi fundada em 222 a.C, tornou-se um centro comercial bem-sucedido durante o Império Romano e importante polo cultural na era napoleônica. Ao longo dos anos, Milão recebeu grande contingente de imigrantes de variadas partes do mundo e aos poucos se converteu em importante centro de negócios e finanças, com um dos mais elevados PIBs da Europa.
Há alguns anos, a cidade tradicionalmente visada como destino turístico desenvolve particular esforço para consolidar-se como referência também no mundo dos negócios. Para tanto, vem sediando um número crescente de eventos e exposições internacionais e assim potencializando sua vocação para lançar estilos e tendências mundo afora. Exemplo emblemático desse movimento foi a construção, em 2005, do Milan Trade Fair, um monumental centro de convenções situado na região metropolitana de Milão, assinado pelo arquiteto Maximilano Fuksas, mestre na arte de “moldar” formas arquitetônicas orgânicas e envidraçadas. O projeto consiste em um colossal complexo orçado em mais de 700 milhões de dólares, concebido para abrigar salas de exposição, auditórios, salas de conferências, restaurantes, cafés, salas de reuniões e uma galeria comercial com mais de 200 lojas, além de espaços para escritórios administrativos.
Segundo o arquiteto italiano, muito além de um centro de convenções, o projeto, que se estende por um terreno de 2,1 milhões de m², pode ser considerado uma verdadeira intervenção urbana, em que uma gigantesca cobertura ondulada de vidro flutua sobre centenas de metros quadrados sem qualquer apoio lateral, rompendo radicalmente com as formas convencionais típicas do universo empresarial e financeiro. “Se um edifício não se movimenta, não dança com a luz, então ele não é um bom edifício”, diz Fuksas. “Se não há vibração, dinamismo e interação, então ele não funciona. Ser meramente funcional não basta. Uma construção tem que oferecer algo a mais: paixão, emoção, fluidez, vida”, acrescenta.
A superfície envidraçada tem a forma de um tapete ondulado com mais de 1 km de extensão, que remete à cadeia de montanhas alpinas ao fundoMilan Trade Fair
Os conceitos arrojados que se tornaram marca registrada do arquiteto italiano, assim como a forma ousada com que concebe extensas superfícies de vidro, são
evidenciados em cada metro quadrado do Milan Trade Fair. Aqui, Fuksas mais uma vez foi buscar inspiração nos elementos da paisagem circundante para imprimir
sua linguagem arquitetônica, que se torna ainda mais refinada por meio das inúmeras interações projetadas com recursos digitais, que exerceram papel determinan-te na manutenção da continuidade do desenho e do modelo escultural estabelecido originalmente. “As projeções digitais garantiram uma construção segura da cobertura fluida que envelopa todo o edifício”, comentam os engenheiros da alemã Mero Structures, empresa de engenharia estrutural responsável pela instalação dos vidros e de seu complexo sistema de sustentação.
Um dos maiores centros de exposições de toda a Europa, o Milan Trade Fair foi erguido em pouco mais de dois anos, tempo considerado recorde diante do tamanho e da complexidade da estrutura. A cobertura ondulada de vidro e aço cobre oito pavilhões, em uma área que soma 345 mil, e chega a mais de 30 m de altura em determinados pontos. Ao longo de toda a sua extensão, as mais de 100 mil placas que compõem a onda de vidro assumem formato quadrado nas partes planas e triangular nas partes curvas, para garantir o movimento fl uido.A concepção do projeto foi estabelecida pela expansão dos oito pavilhões, separados entre si e orientados em direção à coluna central que, também revestida com vidro, atua como ponto de convergência, unindo as estruturas em uma espécie de rua principal. A área bruta ocupada pelos pavilhões soma mais de 340 mil m². “A ideia foi criar um complexo unificado por uma geometria simples, norteada por esse eixo central. A grande cobertura transparente modifica os espaços e representa a continuidade da visão. Com grandes fachadas de metal refl etivo, os pavilhões trazem vida e movimento pelos caminhos que formam”, descreve Fuksas. 
Formas livres
Milan Trade FairLogo e Vela. Assim foram batizadas as duas estruturas principais que cobrem o Milan Trade Fair de ponta a ponta. O Logo, que em italiano signifi ca símbolo, defi ne a identidade da entrada do espaço de exposições e integra o envelope do edifício, explica o engenheiro Terry Peterson, vice-presidente da Mero Structures. “Trata-se de uma dupla superfície envidraçada, curva e de formas livres, similar a um vulcão”, descreve o executivo. “Seus mais de 2,5 mil
m² são revestidos por painéis de vidro e de metal.” Já a Vela é a estrutura que forma a cobertura do edifício, exercendo a função de conectar os halls individuais de exposição. Sua composição inclui mais de 46 mil m² de vidro. “A superfície envidraçada assume uma forma arquitetônica muito peculiar, um tapete ondulado de vidro com mais de 1 km de extensão, que remete à cadeia de montanhas alpinas ao fundo”, comenta Peterson. “A necessidade de criar uma única camada estrutural de vidro, com a forma dos Alpes,nos levou a testar os limites das tecnologias construtivas disponíveis até então.”
 As formas de tais estruturas representaram um desafi o às regras arquitetônicas convencionais – superfícies planas, piramidais e em forma de abóbodas – para fluírem livremente sem um padrão pré-defi nido. “As bordas ondulam suavemente para cima e para baixo, com frequência similar à de uma cadeia de montanhas. Claro que com uma parcial limitação de flexibilidade imposta pelos materiais”, diz o engenheiro da Mero. Segundo ele, estruturas que assumem formas livres costumam receber revestimento de metal, normalmente o aço inoxidável. “Trabalhar com o vidro foi um grande desafi o, porque a estrutura de aço usada como suporte fica completamente exposta, e por isso precisa estar em harmonia com a proposta estética do projeto.”
Para dar conta da missão, o diretor de engenharia Soeren Stephan desenvolveu um elegante sistema estrutural para sustentar o material transparente, constituído por apoios em forma de T. “Basicamente, nós inventamos um sistema novo para criar a forma livre desejada pelo arquiteto”, diz Stephan. Para o Logo, foram usados vidros insulados transparentes de alta performance que, aplicados na cobertura, promovem redução do calor no verão e de perda de energia no inverno. Já na Vela a escolha recaiu sobre os laminados com duas camadas de vidros de 8 mm, intercaladas com PVB de 0,76 mm de espessura. O material foi fornecido pela empresa BGT Bischoff Glastechnik, uma das líderes nos segmentos de benefi ciamento e acabamento do vidro plano da Alemanha. Em ambos os casos, o material foi fi xado diretamente na estrutura, por meio de um sistema de envidraçamento do tipo pele de vidro. “Quando o vidro está diretamente conectado à estrutura dessa forma, a tolerância do aço torna-se crítica”, observa Stephan. “No entanto, as tecnologias de alta precisão empregadas nos deram segurança, e os resultados falam por si só”, conclui o engenheiro.
Milan Trade Fair


















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